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Desperdício de alimentos e educação para sustentabilidade nas escolas

Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos: por que a escola também faz parte dessa mudança?

29/09/2026

Todos os anos, em 29 de setembro, o mundo volta sua atenção para um problema que envolve alimentação, sustentabilidade, economia, meio ambiente e justiça social: as perdas e desperdícios de alimentos.

O Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2019. A data busca ampliar a conscientização sobre o problema e estimular ações relacionadas à Meta 12.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê reduzir pela metade o desperdício de alimentos no varejo e no consumo e diminuir as perdas ao longo das cadeias de produção e abastecimento até 2030.

Mais do que falar sobre a comida que vai para o lixo, a data nos convida a refletir sobre como produzimos, compramos, armazenamos, preparamos, consumimos e valorizamos os alimentos.

Combater o desperdício também é aprender a reconhecer o valor do alimento, dos recursos naturais e das pessoas envolvidas em sua produção.

Por que falar sobre desperdício de alimentos?

O desperdício está relacionado a diferentes etapas do sistema alimentar.

Segundo a FAO, 13,2% dos alimentos são perdidos globalmente após a colheita e antes do varejo. Já o PNUMA estima que outros 19% dos alimentos disponíveis aos consumidores sejam desperdiçados no varejo, nos serviços de alimentação e nos domicílios.

Em 2022, isso representou aproximadamente 1,5 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçados no mundo, cerca de um terço de todos os alimentos produzidos.

O Brasil está entre os dez países que mais desperdiçam alimentos no mundo: 55 milhões de toneladas de alimentos são jogadas fora, enquanto 54,7 milhões de brasileiros vivem em insegurança alimentar.

O impacto também ultrapassa a alimentação. Quando um alimento é perdido ou desperdiçado, também são desperdiçados água, solo, energia e trabalho utilizados em sua produção. As perdas e desperdícios estão ainda associados a cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, agravando o aquecimento global e as mudanças climáticas

Por isso, reduzir o desperdício é uma questão ambiental, social e econômica.

Perda e desperdício de alimentos são a mesma coisa?

Não.

As perdas de alimentos acontecem principalmente antes do varejo, em etapas como produção, pós-colheita, armazenamento, transporte e processamento.

Já o desperdício de alimentos está relacionado principalmente aos alimentos descartados no varejo, nos serviços de alimentação e nos domicílios.

Essa diferença mostra que não existe uma única solução. Reduzir o problema exige mudanças em diferentes etapas do sistema alimentar e a participação de produtores, empresas, governos, instituições, escolas, famílias e consumidores.

O que o desperdício de alimentos tem a ver com a escola?

Tem tudo a ver. A escola é um espaço onde crianças e adolescentes desenvolvem conhecimentos, hábitos e aprendem a tomar decisões.

Por isso, o desperdício de alimentos pode deixar de ser apenas um problema global e se transformar em uma experiência concreta de aprendizagem.

Quanto alimento é descartado depois das refeições?

Por que alguns alimentos são rejeitados?

O que acontece com aquilo que sobra?

Como podemos aproveitar melhor os alimentos?

Essas perguntas podem dar origem a investigações, projetos, debates e atividades interdisciplinares.

Uma proposta sobre desperdício pode envolver Ciências, Matemática, Geografia e Língua Portuguesa, além de discussões sobre consumo consciente, fome, desigualdade, responsabilidade social e educação socioambiental.

Assim, um problema real se transforma em uma oportunidade de aprendizagem.

O estudante também pode ser agente de mudança

Crianças e adolescentes não precisam esperar a vida adulta para participar de transformações sociais.

Ao observar problemas, fazer perguntas, pesquisar e propor soluções, os estudantes desenvolvem pensamento crítico, autonomia, responsabilidade e protagonismo.

No combate ao desperdício, isso pode começar com atitudes simples:

  • observar o próprio consumo;
  • evitar colocar no prato mais comida do que será consumida;
  • conversar com a família sobre planejamento das compras;
  • aprender formas de aproveitar melhor os alimentos;
  • compartilhar informações;
  • participar de campanhas e projetos na escola.

Pequenas atitudes ganham outra dimensão quando são multiplicadas por uma comunidade inteira.

O que escolas e famílias podem fazer?

O combate ao desperdício pode fazer parte da rotina.

Planejar as compras: adquirir apenas o que será consumido ajuda a evitar excessos.

Organizar os alimentos: armazenar corretamente e priorizar produtos que precisam ser consumidos primeiro pode reduzir perdas.

Servir porções adequadas: colocar no prato apenas o que será consumido evita sobras.

Aproveitar melhor os alimentos: cascas, talos, folhas e sementes podem fazer parte de diferentes preparações, respeitando as condições de higiene e segurança.

Conversar sobre o tema: compartilhar informações ajuda a transformar uma preocupação individual em uma mudança coletiva.

Na escola, os estudantes também podem observar o desperdício produzido, organizar dados, pesquisar seus impactos e desenvolver campanhas de conscientização.

O papel do Projeto Inteligência Social – OBA nas Escolas

O Projeto Inteligência Social – OBA nas Escolas, da ONG Banco de Alimentos, aproxima educação, cidadania, sustentabilidade e problemas reais da sociedade.

A redução do desperdício de alimentos permite trabalhar temas como consumo consciente, responsabilidade social, segurança alimentar, sustentabilidade e cidadania.

Por meio de conteúdos, projetos e vivências, o Projeto Inteligência Social busca criar oportunidades para que os estudantes participem ativamente da construção do conhecimento e compreendam como suas escolhas estão relacionadas ao mundo em que vivem.

Desperdício de alimentos também é uma questão de cidadania

Quando um alimento é desperdiçado, não desaparece apenas aquilo que está no prato ou na embalagem.

Também são desperdiçados recursos naturais, energia, trabalho e todos os processos envolvidos para que aquele alimento chegasse até ali.

Ao mesmo tempo, milhões de pessoas enfrentam situações de insegurança alimentar.

Por isso, discutir desperdício é também discutir responsabilidade coletiva.

Não se trata de atribuir a uma única pessoa a responsabilidade por um problema que envolve todo o sistema alimentar, mas de compreender que cada etapa pode contribuir para reduzir perdas e desperdícios.

Um desafio global que também começa na escola

O Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos nos lembra que esse é um desafio global.

Mas a transformação também pode começar em espaços próximos: na escola, em casa, na comunidade e nas escolhas do dia a dia.

Em 2026, FAO e PNUMA destacam o potencial de reduzir perdas e desperdícios para fortalecer sistemas agroalimentares mais sustentáveis e diminuir a pressão sobre recursos naturais, incluindo terras e florestas.

Quando a escola transforma esse tema em conhecimento, reflexão e ação, contribui para formar estudantes mais conscientes sobre suas escolhas e seu impacto no mundo.

Combater o desperdício começa quando aprendemos a valorizar o alimento. E a educação pode transformar esse aprendizado em atitude.

Educação para transformar hábitos

O combate às perdas e desperdícios de alimentos não depende de uma única ação. Depende de conhecimento, escolhas, políticas, sistemas mais eficientes e participação coletiva.

Na escola, esse processo pode começar com uma pergunta simples:

O que podemos fazer para desperdiçar menos?

A partir dela, podem surgir pesquisas, projetos, conversas, experiências e novas atitudes.

Porque quando o estudante aprende, participa e compartilha o que descobriu, uma pequena mudança pode ultrapassar os limites da sala de aula.

É assim que educação, sustentabilidade e cidadania podem caminhar juntas para transformar hábitos e construir um futuro com menos desperdício.

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