Direitos humanos regem o modo como os seres humanos individualmente vivem em sociedade e entre si, bem como sua relação com o Estado e as obrigaçÔes que o Estado tem em relação a eles. A lei dos direitos humanos obriga os governos a fazer algumas coisas e os impede de fazer outras. Os indivĂduos tambĂ©m tĂȘm responsabilidades: usufruindo dos seus direitos humanos, devem respeitar os direitos dos outros. Nenhum governo, grupo ou indivĂduo tem o direito de fazer qualquer coisa que viole os direitos de outra pessoa.
E vocĂȘ jĂĄ parou pra refletir que Ă© muito mais fĂĄcil pensar nos nossos direitos do que nos nossos deveres como cidadĂŁos? Isso acontece porque a maioria que tem acesso a esse texto jĂĄ desfruta de direitos humanos bĂĄsicos: moradia, saĂșde, alimentação, educação, saneamento bĂĄsico, segurança e mais recentemente, de acordo com o Conselho de Direitos Humanos da ONU, um meio ambiente limpo, saudĂĄvel e sustentĂĄvel.
Entretanto, infelizmente, essa nĂŁo Ă© a realidade de todos. Muitas pessoas vivem sem os direitos bĂĄsicos. E esse cenĂĄrio no Brasil, especialmente depois da pandemia, sĂł se agravou. Em 2021, nosso paĂs passou a ter 62,5 milhĂ”es de pessoas abaixo da linha da pobreza, das quais 17,9 milhĂ”es eram extremamente pobres. Isso equivale a dizer que 29,4% da população do Brasil estava pobre e 8,4%, extremamente pobre. Ou seja, a cada 10 brasileiros, aproximadamente 3 estavam abaixo da linha da pobreza e um vivia em condição de extrema pobreza. SĂŁo milhĂ”es de pessoas, 40% da nossa população vivendo sem as normas que reconhecem e protegem a dignidade de todos os seres humanos.
Isso Ă© um resultado direto da falta de uso de inteligĂȘncia social, de uma sociedade negligente e um governo incompetente. Ă o que acontece quando nĂŁo exercemos nossos deveres individuais e coletivos, e quando nĂŁo cobramos o governo por polĂticas pĂșblicas eficazes e de qualidade.
Por isso, Ă© tĂŁo importante que sejamos cidadĂŁos conscientes e prĂł-ativos; sĂł assim poderemos fazer a diferença e enfrentar as questĂ”es sociais. Ă preciso entender que vivemos em um sistema e que tudo estĂĄ interligado: todas nossas açÔes causam um encadeamento de consequĂȘncias – temos que trabalhar para que estas sejam positivas para todos.
Assim, seremos capazes de encerrar o ciclo vicioso de misĂ©ria gerando misĂ©ria e criar um cĂrculo virtuoso, onde prosperidade gera prosperidade. E quanto mais pessoas tiverem seus direitos garantidos, mais pessoas poderĂŁo fazer sua parte nesse processo, afinal, nĂŁo Ă© possĂvel exercer seus deveres se seus direitos nĂŁo estiverem assegurados.










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