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IA & IS: O desafio de não se sobrepujar a essência humana

13/08/2026

Por Luciana Quintão

Fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos

IA & IS: O desafio de não se sobrepujar a essência humana

A Inteligência Artificial já faz parte do nosso dia a dia. Acelera o desenvolvimento de softwares, automatiza funções, rastreia doenças… e muito mais.

É certo que traz avanços e agilidade, inaugurando um novo mundo. Mas… que mundo poderá ser este? Será o mundo que todos realmente queremos?

Inteligência Artificial: avanços, impactos e riscos

Passada a euforia inicial, alertas começam a ecoar. Há riscos reais: desde algoritmos enviesados que causam danos até tecnologias que ameaçam a segurança, a privacidade e a própria existência humana.

Ao abordar o tema, em sua recente encíclica Magnifica Humanitas , o Papa Leão 14 afirmou que “os sistemas de IA não passam por experiências, não sentem alegria ou dor e não têm consciência moral, já que não julgam o bem e o mal, não compreendem o significado último das situações nem assumem responsabilidade pelas consequências”.

Exemplos de impactos negativos não faltam. A IA está transformando a guerra moderna ao acelerar análises de inteligência, a geração de alvos e tomadas de decisão em grandes conflitos. Transforma também relacionamentos: “companheiros de IA” simulam conexão emocional ou romântica, criam expectativas irreais e dependência emocional; e ainda atrofia nossa capacidade de resolução de conflitos, tão necessária para uma conexão humana genuína.

Como caminhar no mundo da IA sem perder a essência humana?

A questão que fica é: como caminhar neste mundo da IA sem perder a essência humana?

O filósofo e historiador Yuval Noah Harari alerta sobre “o perigo de investirmos demais no desenvolvimento da IA e de menos no desenvolvimento da consciência humana”. Acredito que isso já está acontecendo.

Inteligência Social: inteligência a serviço do bem coletivo

Antes da disseminação da massiva IA, ainda em 2019, lancei o livro Inteligência Social – a perspectiva de um mundo sem fome(s). Inteligência Social no sentido da inteligência colocada a serviço de um bem maior, focada no bem coletivo, para que as pessoas não sejam submetidas a tantas negações, a tantas “fomes”: não só de comida, mas de saúde, moradia, educação, justiça social.

Inteligência Social é a capacidade humana de promover o BEM!

Somos todos corresponsáveis pelo mundo à nossa volta e são as escolhas que fazemos na vida que levam à transformação social, capaz de combater a pobreza e a desigualdade.

Inteligência Artificial e Inteligência Social podem caminhar juntas?

Uma inteligência exclui a outra? Certamente não. Mas para que a IA de fato transforme o mundo para melhor, é essencial que caminhe lado a lado com a Inteligência Social.

Nosso conhecimento coletivo cresce quando temos por base a Inteligência Social. Trocamos ideias, enfrentamos desafios às nossas formas de pensar e trabalhamos juntos para solucionar grandes problemas. Acima de tudo, desenvolvemos o nosso pensamento crítico sob uma perspectiva ética – competências que a IA, com certeza, não possui.

O futuro da IA também depende da consciência humana

A revolução da IA só começou. Precisamos nos reinventar continuamente e resgatar a confiança na nossa essência humana, para que esse novo mundo possa de fato se refletir em um mundo de paz e justiça social e não concentre ainda mais riquezas, alijando pessoas, nem implique em que governos e outros setores possam manipular a realidade em benefício próprio.

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